"Beethoven foi o maior em tudo. Mozart foi o maior gênio. E Schubert... Ele é o mais lindo. É aquele que você vai estar ouvindo quando morrer".
sábado, 26 de maio de 2012
Mitsuku Uchida sobre Beethoven, Mozart e Schubert:
"Beethoven foi o maior em tudo. Mozart foi o maior gênio. E Schubert... Ele é o mais lindo. É aquele que você vai estar ouvindo quando morrer".
Mágoa que rala
Lima Barreto é subestimado, muitos o consideram apenas um escritor mediano ou como o alcoólatra atormentado pelo não reconhecimento, porém nos legou contos e passagens maravilhosas.
Num desses contos encontrei uma bela descrição de D. João VI, o fato de Barreto ter sido um monarquista é irrelevante quando observamos a construção deste trecho:
"Fugindo do seu reino, trazendo consigo a mãe louca, que pedia, ao embarcar em Lisboa, andassem mais devagar, para não parecer que fugiam; obrigado pelo seu nascimento e as condições particulares do seu estado, a suportar uma mulher que perdera toda a conveniência, todo o pudor e todo o respeito a si própria, nos seus desregramentos sexuais - o pobre rei, gordo, glutão, tido como estúpido, desconfiado da sua paternidade oficial, só encontrava na música e nos aspectos naturais derivativos para a sua muito humana necessidade de efusões sentimentais." Mágoa que rala, Lima Barreto.
Num desses contos encontrei uma bela descrição de D. João VI, o fato de Barreto ter sido um monarquista é irrelevante quando observamos a construção deste trecho:
"Fugindo do seu reino, trazendo consigo a mãe louca, que pedia, ao embarcar em Lisboa, andassem mais devagar, para não parecer que fugiam; obrigado pelo seu nascimento e as condições particulares do seu estado, a suportar uma mulher que perdera toda a conveniência, todo o pudor e todo o respeito a si própria, nos seus desregramentos sexuais - o pobre rei, gordo, glutão, tido como estúpido, desconfiado da sua paternidade oficial, só encontrava na música e nos aspectos naturais derivativos para a sua muito humana necessidade de efusões sentimentais." Mágoa que rala, Lima Barreto.
Euclides da Cunha, suas impressões sobre o Amazonas e as enchentes
"A enchente é uma parada na vida. Preso nas malhas dos igarapés, o homem aguarda, então, com estoicismo raro ante a fatalidade incoercível, o termo daquele inverno paradoxal, de temperaturas altas. A vazante é o verão. É a revivescência da atividade rudimentar dos que ali se agitam, do único modo compatível com uma natureza que se demasia em manifestações díspares tornando impossível a continuidade de quaisquer esforços." Os Sertões.
"A enchente é uma parada na vida. Preso nas malhas dos igarapés, o homem aguarda, então, com estoicismo raro ante a fatalidade incoercível, o termo daquele inverno paradoxal, de temperaturas altas. A vazante é o verão. É a revivescência da atividade rudimentar dos que ali se agitam, do único modo compatível com uma natureza que se demasia em manifestações díspares tornando impossível a continuidade de quaisquer esforços." Os Sertões.
terça-feira, 15 de maio de 2012
O palavrão é necessário?
"No momento exato, sim, o palavrão é necessário. É insubstituível. Em termos por assim dizer fisiológicos ele é, num momento desses, equivalente do arrato ou do peido alto. Mas como o arroto ou o peido, aliviando um indivíduo, ofende o olfato e os ouvidos dos circunstantes que não sintam, no momento, igual necessidade de alívio ou de desabafo. Daí a necessidade de ser reduzido o seu uso ao inevitável. Isto na vida real. Isto, por analogia, no teatro e na literatura. Quando insubstituível ou inevitável, que venha o palavrão. Inútil qualquer substituto para "porra" ou "merda".
Gilberto Freyre, entrevista concedida ao Diário da Noite, 1970
Gilberto Freyre, entrevista concedida ao Diário da Noite, 1970
Lima Barreto é subestimado, muitos o consideram apenas um escritor mediano ou como o alcoólatra atormentado pelo não reconhecimento, porém nos legou contos, romances, crônicas e passagens maravilhosas como esta.
Num desses contos encontrei uma bela descrição de D. João VI, o fato de Barreto ter sido um monarquista é irrelevante quando observamos a construção deste trecho:
"Fugindo do seu reino, trazendo consigo a mãe louca, que pedia, ao embarcar em Lisboa, andassem mais devagar, para não parecer que fugiam; obrigado pelo seu nascimento e as condições particulares do seu estado, a suportar uma mulher que perdera toda a conveniência, todo o pudor e todo o respeito a si própria, nos seus desregramentos sexuais - o pobre rei, gordo, glutão, tido como estúpido, desconfiado da sua paternidade oficial, só encontrava na música e nos aspectos naturais derivativos para a sua muito humana necessidade de efusões sentimentais." Mágoa que rala, Lima Barreto.
Num desses contos encontrei uma bela descrição de D. João VI, o fato de Barreto ter sido um monarquista é irrelevante quando observamos a construção deste trecho:
"Fugindo do seu reino, trazendo consigo a mãe louca, que pedia, ao embarcar em Lisboa, andassem mais devagar, para não parecer que fugiam; obrigado pelo seu nascimento e as condições particulares do seu estado, a suportar uma mulher que perdera toda a conveniência, todo o pudor e todo o respeito a si própria, nos seus desregramentos sexuais - o pobre rei, gordo, glutão, tido como estúpido, desconfiado da sua paternidade oficial, só encontrava na música e nos aspectos naturais derivativos para a sua muito humana necessidade de efusões sentimentais." Mágoa que rala, Lima Barreto.
sábado, 10 de março de 2012
O mar, este estado de espírito
ANTE EL MAR
(Paráfrasis)
Mi corazón !oh mar! tiene sus olas,
sus furores, sus calmas, sus tormentas,
sus glaciales regiones solitarias
donde la nieve impenetrable reina,
hondas grutas pobladas de cantares
falaces cual la voz de la sirena,
naufragios espantosos, torreones
de altos castillos, de blancura argéntea,
que alzara la ilusión en sus delirios
a ser mansiones de la dicha excelsa
y cambió el tiempo en tumbas resonantes
do yacen hoy las esperanzas muertas.
Todo cual tú poseo, mas tu altivo
desdén jocundo de la suerte fiera,
!oh perpetuo inconstante,
ansiara yo imitar!
Ante tu altar de rocas implacables
que enguirnalda la espuma irisdescente,
mecido por el choque clamoroso
de olas votivas mil, cuando Selene
repose en la armadura de tu pecho
la joya nacarada de su frente,
mientras avanzan cual luciente coro
de vestales cantoras las rompientes,
y la mística estrella de la tarde
en el azul purísimo aparece,
te ofrendaré mis muertas alegrías,
mis tristezas profundas y perennes,
mis sonrisas ya mustias en su aurora,
mis ensueños que en nieblas desfallecen,
tú, escucha mi plegaria,
!oh mar, soberbio mar!
(Habana, 1904)
Pedro Henríquez Ureña
(Paráfrasis)
Mi corazón !oh mar! tiene sus olas,
sus furores, sus calmas, sus tormentas,
sus glaciales regiones solitarias
donde la nieve impenetrable reina,
hondas grutas pobladas de cantares
falaces cual la voz de la sirena,
naufragios espantosos, torreones
de altos castillos, de blancura argéntea,
que alzara la ilusión en sus delirios
a ser mansiones de la dicha excelsa
y cambió el tiempo en tumbas resonantes
do yacen hoy las esperanzas muertas.
Todo cual tú poseo, mas tu altivo
desdén jocundo de la suerte fiera,
!oh perpetuo inconstante,
ansiara yo imitar!
Ante tu altar de rocas implacables
que enguirnalda la espuma irisdescente,
mecido por el choque clamoroso
de olas votivas mil, cuando Selene
repose en la armadura de tu pecho
la joya nacarada de su frente,
mientras avanzan cual luciente coro
de vestales cantoras las rompientes,
y la mística estrella de la tarde
en el azul purísimo aparece,
te ofrendaré mis muertas alegrías,
mis tristezas profundas y perennes,
mis sonrisas ya mustias en su aurora,
mis ensueños que en nieblas desfallecen,
tú, escucha mi plegaria,
!oh mar, soberbio mar!
(Habana, 1904)
Pedro Henríquez Ureña
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