sábado, 10 de março de 2012

O mar, este estado de espírito

ANTE EL MAR
(Paráfrasis)

Mi corazón !oh mar! tiene sus olas,
sus furores, sus calmas, sus tormentas,
sus glaciales regiones solitarias
donde la nieve impenetrable reina,
hondas grutas pobladas de cantares
falaces cual la voz de la sirena,
naufragios espantosos, torreones
de altos castillos, de blancura argéntea,
que alzara la ilusión en sus delirios
a ser mansiones de la dicha excelsa
y cambió el tiempo en tumbas resonantes
do yacen hoy las esperanzas muertas.

Todo cual tú poseo, mas tu altivo
desdén jocundo de la suerte fiera,
!oh perpetuo inconstante,
ansiara yo imitar!
Ante tu altar de rocas implacables
que enguirnalda la espuma irisdescente,
mecido por el choque clamoroso
de olas votivas mil, cuando Selene
repose en la armadura de tu pecho
la joya nacarada de su frente,
mientras avanzan cual luciente coro
de vestales cantoras las rompientes,
y la mística estrella de la tarde
en el azul purísimo aparece,
te ofrendaré mis muertas alegrías,
mis tristezas profundas y perennes,
mis sonrisas ya mustias en su aurora,
mis ensueños que en nieblas desfallecen,
tú, escucha mi plegaria,
!oh mar, soberbio mar!

(Habana, 1904)
Pedro Henríquez Ureña

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Catrin Finch Goldberg Variations / Amrywiadau Goldberg

Uma obra indescritível como as Variações Goldberg fica linda nos mais diversos instrumentos. Esta harpista gravou a versão integral, pena que encontramos no youtube apenas algumas partes.

Great Piano Concertos - Clifford Curzon plays Brahms Concerto No. 1 in D...



Esta é uma das melhores gravações já feitas deste concerto, Szell imprime uma força extraordinária e Curzon executa o piano magnificamente. Conheço as gravações de Gilels, Serkin, Freire, mas esta me agrada mais.

Luz em Agosto

Uma das mais belas passagens literárias que já li, e há muito gostaria de compartilhar aqui.

“A memória acredita antes de o conhecimento lembrar. Acredita um tempo maior do que recorda, um tempo maior até do que o conhecimento imagina. Conhece lembra acredita em um corredor num grande longo frio despojado ressonante edifício de tijolos vermelhos escuros enegrecidos pela fuligem de mais chaminés do que a sua própria, plantando num terreno atulhado de cinza espalhada sem grama rodeado de construções industriais fumacentas e cercado por uma cerca de aço e arame de três metros como uma penitenciária ou um zoológico, onde em vagas erráticas aleatórias, com chilreios infantis pardalinos, órfãos em idêntica e uniforme sarja azul dentro e fora da recordação mas no conhecimento constantes como as paredes soturnas, as janelas soturnas onde na chuva a fuligem das chaminés adjacentes de um ano riscava como lágrimas negras.” William Faulkner, Luz em Agosto, início do capítulo 6.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Alfred Brendel - Liszt: Années de Pèlerinage - Deuxième Année: Italie


No bicentenário do nascimento de Liszt, deixo esta homenagem ao gênio do piano, de vasta obra pianística, em sua maioria desconhecida do público amante da música erudita.

domingo, 13 de novembro de 2011

Humanismo e terror na visão de George Steiner

A cultura humanística apresenta-se como um antídoto para a barbárie, trata-se de um intelectualismo que não percebe que as sementes da violência estão presentes no ser. Como bem observa George Steiner, as experiências da primeira metade do século XX demonstram que o humanismo é frágil frente às disputas pelo poder.

***

“[...] Não posso aceitar o fácil consolo de que essa catástrofe foi um fenômeno puramente alemão, ou um nefasto acaso, com raízes na personagem de um ou outro governante totalitário. Dez anos depois de a Gestapo retirar-se de Paris, os compatriotas de Voltaire torturavam argelinos e uns aos outros nos mesmos porões das delegacias. A morada do humanismo clássico, o sonho da razão que inspirou a sociedade ocidental, havia em grande parte ruído. Idéias de desenvolvimento cultural e de racionalidade inata, aceitas desde a antiga Grécia e ainda de expressiva validade no historicismo utópico de Marx e no autoritarismo estóico de Freud (ambos suplantadores tardios da civilização greco-romana), não podem mais ser sustentadas com muita segurança. A capacidade do homem tecnológico, como ser suscetível ao controle do ódio político e da insinuação sádica, estendeu-se espantosamente rumo à destruição.”STEINER, GEORGE. Linguagem e silêncio, pág. 15.

“[...] O grau máximo da barbárie política desenvolveu-se no cerne da Europa. Dois séculos após Voltaire ter proclamado seu fim, a tortura volta a tornar-se um processo normal de ação política. Não apenas a difusão geral de valores literários e culturais demonstrou não ser obstáculo ao totalitarismo, como também, em alguns casos que se puderam observar, os altos círculos do saber e da arte humanísticos de fato acolheram e ajudaram o novo terror. A barbárie predominou no próprio berço do humanismo cristão, da cultura renascentista e do racionalismo clássico. Sabemos que alguns homens que conceberam e administraram Auschwitz foram educados lendo Shakespeare ou Goethe, e continuavam a lê-los.” STEINER, GEORGE. Linguagem e silêncio, pág. 23.

Ingleses decepcionados


"Vários ingleses que se deixaram enganar por um guia do leste do Tirol e, em companhia dele, subiram aos Três Picosde Lavaredo, ficaram tão decepcionados com o espetáculo oferecido pela natureza quando alcançaram o mais alto dos três picos que, ali mesmo, e sem demora, surraram até a morte o tal guia, um pai de família com três filhos e, ao que consta, casado com uma mulher surda. Quando, porém, se deram conta do que haviam feito, precipitaram-se, um após o outro, no abismo. Um jornal de Birmingham noticiou na sequência que a cidade tinha perdido seu mais destacado editor e proprietário de jornal, seu mais extraordinário diretor de banco e seu melhor agente funerário." THOMAS BERNHARD